"(...)Não te equivoques, Nathanael, ante o título brutal que me agradou dar a este livro.

Nele me pus sem arrebiques nem pudor; e se nele falo por vezes de lugares que não vi, de perfumes que não cheirei, de ações que não cometi – ou de ti, Nathanael, que ainda não encontrei – não é por hipocrisia. E essas coisas não são mais mentirosas do que este nome que te dou, Nathanael, que me lerás, ignorando o teu, ainda por surgir.

Quando me tiveres lido, joga fora este livro – e sai. Sai do que quer que seja e de onde seja, de tua cidade, de tua família, de teu quarto, de teu pensamento. Que o meu livro te ensine a te interessares mais por ti do que por ele próprio – depois por tudo o mais – mais do que por ti."

André Gide em "Os Frutos da Terra". Paris, 1927.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

formidável


sinceramente, não distingo sua voz doce com palavras quentes da sua voz quente com palavras doces. ambas têm sempre o mesmo e irremediável efeito. violando meu ouvido, desabotoam as minhas melhores e piores intenções. nossa respiração estrondeada transcende o que é vida. com os freios da censura cortados, não há o que fazer.

e não há o que baste, e não há o que finda. há sempre o incansável transbordar de emoções. nos resta dançar ao som da nossa alma.

2 comentários:

Flávia disse...

Uau.

Priscilla Nunes disse...

formidável, realmente.