"(...)Não te equivoques, Nathanael, ante o título brutal que me agradou dar a este livro.

Nele me pus sem arrebiques nem pudor; e se nele falo por vezes de lugares que não vi, de perfumes que não cheirei, de ações que não cometi – ou de ti, Nathanael, que ainda não encontrei – não é por hipocrisia. E essas coisas não são mais mentirosas do que este nome que te dou, Nathanael, que me lerás, ignorando o teu, ainda por surgir.

Quando me tiveres lido, joga fora este livro – e sai. Sai do que quer que seja e de onde seja, de tua cidade, de tua família, de teu quarto, de teu pensamento. Que o meu livro te ensine a te interessares mais por ti do que por ele próprio – depois por tudo o mais – mais do que por ti."

André Gide em "Os Frutos da Terra". Paris, 1927.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

só isso


como eu desejei - exatamente como eu desejei - ela passou por aqui de novo. e com os olhos da cor que já sei de cor me falou de todas confusões & devoções. coisas demais, deveras inúteis; covardia não ter deixado a língua salivar um pouco mais.

- e ai?

- não quero mais. só isso.

e ela se foi. da mesma maneira que chegou. sem pagar suas dívidas.

e, exclusivamente, para mim, eu digo:

- não quero menos. só isso.


exatamente como eu desejei.

Um comentário:

Ana C. disse...

Eu te amo por isso, sabia?