"(...)Não te equivoques, Nathanael, ante o título brutal que me agradou dar a este livro.

Nele me pus sem arrebiques nem pudor; e se nele falo por vezes de lugares que não vi, de perfumes que não cheirei, de ações que não cometi – ou de ti, Nathanael, que ainda não encontrei – não é por hipocrisia. E essas coisas não são mais mentirosas do que este nome que te dou, Nathanael, que me lerás, ignorando o teu, ainda por surgir.

Quando me tiveres lido, joga fora este livro – e sai. Sai do que quer que seja e de onde seja, de tua cidade, de tua família, de teu quarto, de teu pensamento. Que o meu livro te ensine a te interessares mais por ti do que por ele próprio – depois por tudo o mais – mais do que por ti."

André Gide em "Os Frutos da Terra". Paris, 1927.

sábado, 1 de maio de 2010

beijo



o gosto do desgosto não se esquece facilmente. felizmente, também não se apaga os deleitosos gostos já experimentados. e não existe absolutamente nada que impeça que o palato possa vir vislumbrar novos e distintos sabores. eis a magia. eis o espetáculo.

no teatro da boca, o áspero sempre propõe coadjuvância e faz festa quando o mise-en-scène é perfeito. é na base do improviso. não tem nenhuma demarcação. não tem nenhum ensaio.

não. também não tem hora pr'acabar.

2 comentários:

Cacá Machado disse...

Nada como um novo começo e uma nova história...

ana disse...

o sentimento é de paixão.