"(...)Não te equivoques, Nathanael, ante o título brutal que me agradou dar a este livro.

Nele me pus sem arrebiques nem pudor; e se nele falo por vezes de lugares que não vi, de perfumes que não cheirei, de ações que não cometi – ou de ti, Nathanael, que ainda não encontrei – não é por hipocrisia. E essas coisas não são mais mentirosas do que este nome que te dou, Nathanael, que me lerás, ignorando o teu, ainda por surgir.

Quando me tiveres lido, joga fora este livro – e sai. Sai do que quer que seja e de onde seja, de tua cidade, de tua família, de teu quarto, de teu pensamento. Que o meu livro te ensine a te interessares mais por ti do que por ele próprio – depois por tudo o mais – mais do que por ti."

André Gide em "Os Frutos da Terra". Paris, 1927.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

nico e tina

“posso te falar uma coisa?”
“cê sabe que quando você pergunta isso, eu fico sem jeito de dizer que não...”
“mas de qualquer forma, se o que eu disser te incomodar, será culpa sua.”
“fala logo!”
“cê não sabe fumar.”
“você é incrível. usa os mais esdrúxulos pretextos pra falar mal de mim...”
“não to falando mal, to só constatando. cê fuma feio...”
“fumo feio? você é um idiota.”
“é sério... já viu a elizabeth taylor fumando? você é completamente o oposto. parece uma menina de sete anos fingindo fumar um lápis. só que você não tem sete anos, aí fica ridículo.”
“ridículo é você.”
“foi por isso que eu perguntei se eu podia falar.”

Um comentário:

priscilla nunes disse...

genial o "nico e tina".