"(...)Não te equivoques, Nathanael, ante o título brutal que me agradou dar a este livro.

Nele me pus sem arrebiques nem pudor; e se nele falo por vezes de lugares que não vi, de perfumes que não cheirei, de ações que não cometi – ou de ti, Nathanael, que ainda não encontrei – não é por hipocrisia. E essas coisas não são mais mentirosas do que este nome que te dou, Nathanael, que me lerás, ignorando o teu, ainda por surgir.

Quando me tiveres lido, joga fora este livro – e sai. Sai do que quer que seja e de onde seja, de tua cidade, de tua família, de teu quarto, de teu pensamento. Que o meu livro te ensine a te interessares mais por ti do que por ele próprio – depois por tudo o mais – mais do que por ti."

André Gide em "Os Frutos da Terra". Paris, 1927.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Motivo Condutor
























Wassily Kandinsky. "Colourful Ensemble", 1938. 116х89 cm


Descubra que o dia não depende de ti, Eugênia

Depois, abra os olhos e escove bem os dentes

 

Não importam os seus planos

Tampouco seus fitos

Cada dia terá uma força maior agindo sobre sua vã existência

Como se o destino usasse – sem o mínimo de pudor – você como fantoche

 

Assim, eximida da responsabilidade, tente lucrar

Não, não é fácil, Eugênia

Entretanto, entre tantas penas pernas poemas

Deve ter algo que a valha


2 comentários:

Ana C. disse...

Você leva jeito heim...

Agora me diz quem é Eugênia?

Ana Clara disse...

me sinto eugênia e destino.. como já me senti dúvida e capitu.

lindo, lindo texto, meu querido amigo.