
“E se a nossa alma valeu alguma coisa,
é porque ardeu com mais ardor do que outras”.
-André Gide
Gosto de acreditar que, para me divertir, eu só precisaria abrir a porta e sair. Mas as coisas cresceram, a ponto de eu não conseguir mais me desvencilhar do que nunca foi recíproco. E mesmo assim, ainda prefiro esse clima de cinema seiscentista.
E insisto em me iludir. Mesmo que os laços afetivos não atem ninguém, você acaba optando por esse cárcere contente. Quando se têm alguém já tão imerso no seu quotidiano, é difícil imaginar sorrisos privados da agradável companhia. Tantas pessoas, tantos rostos com tantas histórias para contar; e eu não quero nada mais que aquele rosto familiar com as mesmas carochinhas de sempre.
Nos dias em que não vejo a terra de onde brota a minha alegria, fico perdido. Sou tomado por esse louco lirismo, cheio de clichês e romantismo barato e me ponho a escrever. Pressentindo, sentindo, ressentindo a falta que você fará, faz e fez.
As páginas dos meus livros não vêem mais os meus olhos. As cordas da minha guitarra sentem falta dos meus dedos. As capas dos CDs sumiram embaixo de tanta poeira. Maldito van Gogh, pendurado na parede, rindo dos meus girassóis...
Dessa forma, acabo me surpreendendo comigo mesmo. Sem ter tempo pra nada, exceto pra alguém. Não esperava me mostrar tão leal e afável, repudiando tudo que possa pôr em risco o que durou, e ainda dura, mais tempo do que eu acreditava. Não sei como se chama isso.
Só sei que resisti e ainda resisto às tentações. Sem precisar errar para saber o que sinto...
“eu vi como há muito tempo não via a poesia sorrir pra mim. sorri de volta, corri com meu cavalinho pra chuva e achei que assumir o risco era menos ridículo do que de fato é. eu vi métrica no teu texto, vi semiótica nos teus códigos, vi um encontro onde você viu exercício de estilo.”
-Leandro Id Lascado
João Freitas tem 26 anos e só escreve nos fins de semana...
Nos Tímpanos: Moreno +2 – Enquanto Isso